Disciplina: Geologia Econômica (semestre 2 de 2009)

Pessoal, sejam bem vindos para mais esta viagem!

O blog é didático durante o semestre letivo, salvo algum acontecimento extraordinário.
Sejam todos bem vindos!

Maria José

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26.6.09

19 Festival de Antonina


Maquete em 3D do projeto Sala da Terra, elaborada pelo petiano Marcell Leonard Besser a apresentado em escolas minucipais.
Os bastidores do Festival de Antonina nas últimas semanas foram aterrorizantes para quem está mais ou menos envolvido, imagina para a produção cultural! Eu e meu grupo PET-Geologia inscrevemos uma oficina audaciosa, para nós mesmos, chamada "Do mito à natureza: educando o olhar para as Ciências da Terra". Foi selecionada, não só na semana do festival como durante todo o ano, como idealizado pelo atual diretor cultural da UFPR Guilherme Romaneli. Semana passada, a menos de um mês do festival, 50% dos oficineiros foram chamados para uma reunião na reitoria, sem pauta anunciada. Para tristeza, desânimo e revolta de todos, a reunião era para cortar estas oficinas por falta absoluta de verba para o festival. Profissionais sérios que já tinham se planejado, elaborado suas oficinas com carinho, alugado casa em Antonina etc. Todos cortados! O que nos foi informado é que o orçamento de R$ 700.000,00 para o festival chegou a zero e agora beira a 140.000,00 (vindo da Itaipu). Um festival desta importância e natureza a mercê de patrocínios pessoais, como tudo neste estado, e/ou país. Isso que este ano o pessoal da cultura da UFPR tinha conseguido uma façanha no Ministério da Cultura, fazer com que o festival entrasse na categoria de 100% de liberação do IR na lei Rouanet. Nada adiantou. Nem o Porto de Antonina deu um tostão.
Para nossa surpresa, recebemos dois dias depois do corte, o telefonema da maravilhosa Eliane Beê Boldrini, presidente da ADEMADAN (Associação de defesa do meio ambiente e desenvolvimento de Antonina - .) dizendo que a nossa oficina já contava com mais de 30 pessoas. Ou seja, não adiantaria mais cortá-la, pois ela já estava acontecendo a nossa revelia, a revelia dos organizadores e dos nossos não-patrocinadores. Com isso estamos correndo e preparando tudo novamente. Os organizadores queriam ter cancelado o festival, para que tudo isso viesse a tona. Não deu certo, vai acontecer!
Espero sinceramente que o 20 Festival de Inverno de Antonina não fique a mercê de benesses pessoais e que se institucionalize!
Então fica aí o convite, vamos nos divertir em Antonina de 12 a 18 de julho. Nossa oficina fas parte do projeto de Extenão do PET chamado "Sala da Terra coordenado igualmente pelos colegas Luiz Alberto Fernandes (coordenador do Programa de Pós-Graduação em Geologia) e Leonardo Cordeiro dos Santos (coordenador do Programa de Pós-Graduação em Geografia, ambos da UFPR). Confira a programação das oficinas no site da UFPR e a crônica sobre o fetival do blog URUBLUES, ambos diponíveis no link ao lado).
Inté Antonina

16.1.09

O Guaíba e o portoalegrense

O convívio com o Guaíba, nesta longa temporada em Porto Alegre, me trouxe muitas lembranças antigas. Me dei conta da íntima relação que temos com o rio Guaíba, que já foi estuário e agora é lago. Mas o rio já foi incorporado no nome: Rio Guaíba.
Na festa de formatura da Geologia da UFRGS de 2009, no Cais do Porto (fotos abaixo), vislumbrei aqueles velhos conhecidos suportes de ferro e lembrei da infância, onde todo domingo esperava ansiosa o timoneiro da barca do União amarrar a corda para podermos saltar para dentro e irmos para a ilha do Pavão. Meu pai ia todo domingo jogar bola e nós três brincar e nadar no Guaíba. Foi no velho Guaíba que aprendi a nadar , com o Gato.
Alguém pode perguntar, nadar no Guaíba? Mas o Guaíba não é só para ver o sol se por? Aliás fantástico.

Estes são os velhos suportes de ferro que margeiam o cais do porto.

Pois é aí que eu queria chegar! Que relação é esta desta gente portoalegrense, nossa, com o Rio Guaíba? Com um verão de quarenta graus e nem se pensa em sair do trabalho ou do colégio e dar um mergulho. Quando se perdeu isso? A quarenta? A trinta anos atrás? Ao invés de banho nos contentamos em admirar o por do sol?
Na década de oitenta passada, o colega Dr. Edison Bidone, geólogo, formado na UFRGS, professor e pesquisador em Geoquímica Ambiental na Universidade Federal Fluminense, ministrava cursos de educação ambiental, e em um destes cursos nos dizia: enquanto o portoalegrense não se indignar com a situação do Guaíba, não querer tomar banho novamente, tomar água, etc nada vai acontecer. Independente das políticas publicas e grandes recursos destinados a recuperação.
E como ele tinha razão! Lá se vão trinta anos.
Precisamos de longas campanhas de educação ambiental com toda a população, a começar pelo beabá, do tipo observar o entorno do rio e descrever o que se está vendo. Pois ao que parece, não se vê muita coisa mais, abstrai-se muito. Quando se vive no lixo não se vê mais este. Os cursos simples de educação ambiental que estamos desenvolvendo com o PET Geologia da UFPR no Paraná, com crianças do ensino fundamental poderiam muito bem ser aplicados aqui.
No feriado de ano novo, domingão, fui fotografar o que o Bidone queria dizer a mais de trinta anos e vejam só:
(as fotos estão em sequencia da Av. Ipiranga para o gasômetro)
Um dos muitos recantos que o lago "Rio Guaíba" oferece em sua orla.

É assim que o portoalegrense convive com o Guaíba. No meio do lixo, tomando banho ou tomando chimarrão. Fazendo pic-nic ou fazendo churrasco. A sujeira esta lá, mas não encomoda mais.
Quadras multiesportivas e iluminação noturna recém instaladas na orla do Guaíba. O projeto não inclui nenhuma lata de lixo. Que projeto é este da prefeitura?

Usina do Gasômetro, cheia de gente esperando o sol se por e curtindo o fim de tarde no feriado de ano novo.


As vezes as esculturas encomendadas não tem a repercussão esperada. É o caso da "Supercuias" para a comemoração dos 232 anos de Porto Alegre em 2004, conhecida como "Supertetas"!

6.8.08

MODELO DE DEPÓSITOS MINERAIS, USOS E ABUSOS

Modelo de depósito mineral (MDM) é a sistematização dos atributos essenciais de uma classe de depósitos minerais e pode ser: empírico (descritivo) ou teórico (genético). Os MDM são fundamentais na exploração mineral, contudo, podem ser um faca de dois gumes:
· Por um lado, uma poderosa ferramenta para organizar dados e aumentar o entendimento geológico, os critérios de seleção de área e predição de depósitos minerais;
· Por outro, excluindo os dados que não encaixam no modelo, tem-se um efeito terrível, que pode levar a critérios errôneos.
Os critérios para seleção de área não podem ser somente feições espacialmente associadas ao minério. Devem estar geneticamente relacionadas a este de alguma maneira. Do contrário a associação pode ser acidental! Não sendo um bom guia exploratório. O difícil é saber a confiabilidade de cada critério e dimensionar a hierarquia dos critérios. A maneira mais simples é aplicar o modelo empírico, ou seja, listar as feição de campo e a frequência relativa de ocorrência com o minério e ausência em áreas sem minério. As principais fraquezas do modelo empírico são: nem todos os dados podem ser usados para construir o modelo e não se pode predizer feições no banco de dado original. A maneira mais robusta é usar o modelo genético, onde as relações empíricas são explicadas em termos de processos geológicos causativos. As feições descritivas são classificadas, quanto à importância e confiança, de acordo com sua relação com o processo de formação do minério. É melhor usar a teoria e dados geológicos para melhorar o modelo empírico bruto em um modelo genético mais refinado, sustentando aquelas feições que mostram uma associação forte com o minério, mas não podem ser explicadas, mantendo-as como critério de seleção de área. Quanto melhor o modelo, mais efetiva será a exploração e a avaliação do recurso mineral! Os modelos têm que evoluir e os usuários não devem temer modificá-los para aplicações específicas. Adaptados ao uso pessoal e aplicado de uma maneira flexível em um mundo economicamente mutável e ambientalmente mais consciente.

Inspirado em: IUGS-UNESCO Deposit Modelling Program, 1990; Hodgson, 1993 (Uses and abuses of ore deposit modeling in mineral exploration); Cox & Singer. 1986 (Mineral deposit Models).

25.7.08

RECURSOS MINERAIS E A CRISE GLOBAL

"Estamos diante de uma crise global de recursos minerais. O suprimento finito de minerais está sendo usado por uma população que cresce mais rápido que em qualquer outro momento histórico. Para piorar, o consumo mineral está crescendo ainda mais rápido que o populacional. Diversos minerais são usados nos países mais desenvolvidos com consumo menor nos menos desenvolvidos. Embora os mais desenvolvidos somem apenas 16% da população mundial, eles consumem 70% do alumínio, cobre e níquel do mundo, 58% do óleo, 48% do gás natural, e 37% do carvão. Assim que a qualidade de vida aumenta nos países menos desenvolvidos, eles começam a consumir sua parte dos minerais, levando o consumo per capita aumentar ainda mais rápido.
Isso cria um dilema. Embora necessitemos de mais minerais para suprir a civilização, estamos nos dando conta que sua exploração e uso estão poluindo o planeta. Efeitos que eram de escala local têm se tornado verdadeiramente globais, com o consumo mineral levando ao aquecimento global, chuvas ácidas e a destruição da camada de ozônio na atmosfera. Exatamente quando precisamos expandir a produção mineral sabemos que a Terra atinge seu limite de poluição relacionada à extração mineral.
Não podemos ignorar esta crise. Nossa civilização baseia-se em recursos minerais. A maioria das máquinas, utensílios, móveis, que fazem a vida confortável, são feitos de metais e movidos por energia de combustíveis fósseis. A produção de comida em grande escala para a população urbana depende de minerais fertilizantes. Os prédios onde vivemos e trabalhamos são feitos quase inteiramente de minerais industriais. Se a população global crescer tão rápido quanto às estimativas sugerem, a pressão para encontrar e produzir minerais será enorme, assim como será a poluição potencial, relacionada a sua extração e uso.”
Extraído do livro: Mineral, resources, economics and the environment. Stephen E. Kesler. Texto completo disponível.

FINAL DE COBERTURA:

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44 CBG